sexta-feira, 31 de maio de 2013

Biden diz que comércio com o Brasil deveria ser ampliado em cinco vezes 31/05/2013


Vice-presidente dos EUA afirmou ser preciso derrubar barreiras e dar mais garantias a investidores

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta sexta-feira, 31, que espera ver o comércio com o Brasil, hoje na casa dos US$ 100 bilhões ao ano multiplicado em cinco vezes. Em declaração à imprensa no Palácio Itamaraty, ao lado do vice-presidente Michel Temer, Biden afirmou que é preciso derrubar as barreiras de comércio entre os dois países e dar mais garantias aos investidores.
Michel Temer recebe Biden em Brasília - Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão
Michel Temer recebe Biden em Brasília
"Não há razão para que a maior economia do mundo e a sétima economia mundial não possam multiplicar por cinco vezes o comércio bilateral", destacou Biden. O vice-presidente americano se reuniu com Temer após se encontrar com a presidente Dilma Rousseff. Na conversa foram abordados temas como energia, pré-sal, inovação tecnológica, educação e combate à miséria.
"Vocês subestimaram o profundo impacto que o êxito de vocês teve no mundo nos últimos 15 anos", comentou Biden. Para ele, o Brasil já mostrou ser possível conciliar democracia e crescimento econômico.
Biden definiu Dilma como "uma líder que olha com foco de raio laser para as questões mais importantes para o povo brasileiro" e teceu elogios à presidente, que fará visita de Estado a Washington no dia 23 de outubro. "Agora compreendo porque o presidente Obama acha que a presidente Dilma é uma parceira tão boa",disse o vice-presidente dos EUA.

Argentinos e cubanos desenvolvem vacinas contra o cancro do pulmão 31/05/2013

Do Jornal de Notícias

Anunciada primeira vacina terapêutica contra cancro do pulmão

Publicado às 20.47

Um grupo de investigadores argentinos e cubanos criou a primeira vacina terapêutica contra o cancro do pulmão, que prolonga a esperança de vida dos doentes, informou, esta sexta-feira, o laboratório argentino Insud, participante no projeto.
A vacina, que resulta de 18 anos de trabalho e da colaboração de um consórcio público-privado de investigação, não previne o aparecimento do tumor, mas promove a sua destruição através da ativação do sistema imunitário do próprio organismo, adiantou o mesmo laboratório em comunicado.
Batizada com o nome de Racotumomab, a vacina foi testada em ensaios clínicos controlados, e triplicou a percentagem de doentes que continuaram vivos dois anos após a sua toma, assinalou a mesma nota.
A vacina está indicada para casos de cancro do pulmão avançados ou com metástases, em doentes que receberam tratamentos de quimioterapia e radioterapia e se encontram estáveis.
Mais de 90 especialistas, incluindo do Instituto de Imunologia Molecular de Havana, trabalharam na identificação de um antígeno (partícula ou molécula capaz de iniciar uma resposta imune) e no desenvolvimento de um anticorpo monoclonal, que, "ao induzir o corpo a reagir a esse antígeno, ataca o tumor e as suas metástases, mas não o tecido normal", indicou o laboratório Insud.
A vacina é administrada através de injeções intradérmicas e produz uma potente resposta do sistema imunológico, realçou o diretor científico do Consórcio de Investigação e Desenvolvimento Inovador, Daniel Alonso.
A Argentina será, em julho, o primeiro país do mundo a ter disponível a vacina, cuja comercialização foi autorizada em Cuba e em mais 25 países da América e da Ásia.
O cancro do pulmão, considerado um dos mais letais, mata anualmente, em todo o mundo, 1,4 milhões de pessoas, de acordo com estimativas da Organização Mundial de Saúde.

Político linha-dura anti-Ocidente avança na disputa eleitoral do Irã 31/05/2013

Saeed Jalili
Na sexta-feira, em seu primeiro comício de campanha, o candidato à presidência do Irã, Saeed Jalili, recebia os aplausos de milhares de jovens enquanto se arrastava até o palco. Seus movimentos são dificultados por uma perna mecânica, uma espécie de medalha de honra recebida durante seus dias como jovem membro da Guarda Revolucionária na grande guerra de trincheira travada entre o Irã o Iraque.
"Bem-vindo, Jalili, nosso mártir vivo", gritou a plateia em uníssono, formada, em sua maioria, por rapazes jovens demais para terem testemunhado o sangrento conflito, mas profundamente mergulhados na veneração nacional aos seus veteranos de guerra. Agitando bandeiras da "resistência" – a cooperação militar entre o Irã, a Síria, o grupo xiita libanês Hezbollah e alguns grupos palestinos –, a multidão gritava o slogan eleitoral do candidato: "Sem concessões. Sem submissão. Apenas Jalili".
Jalili, conhecido como o inflexível negociador do programa nuclear do Irã e protegido do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, está despontando como o suposto favorito na eleição presidencial do Irã, que se realizará no próximo dia 14 de junho – uma perspectiva inquietante para as relações futuras com o Ocidente. Jalili, 47, que segundo muitos analistas vem sendo preparado há muito tempo para assumir uma alta posição na hierarquia de poder do Irã, é de longe o linha-dura mais assumido entre os oito candidatos aprovados para participar do pleito.
Opondo-se "100% ao relaxamento das hostilidades na relação do Irã com o Ocidente" e prometendo não fazer "nenhuma" concessão ao Ocidente em relação a questões como o programa nuclear do Irã e o envolvimento na Síria, Jalili parece decidido a ampliar ainda mais impasse entre o Irã e os Estados Unidos e seus aliados caso seja eleito presidente.
"Ele parece ser Ahmadinejad, parte 2", disse Rasool Nafisi, especialista em Irã lotado no estado norte-americano da Virgínia, referindo-se ao atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. "Ele provavelmente não seria um parceiro para a negociação de questões nucleares, como vimos antes, quando ele estava liderando as delegações".
Um analista que vive no Irã, mas que pediu não ser identificado por medo de represálias, disse que Jalili é "o discípulo perfeito de Khamenei".
"Se ele for eleito, eu prevejo ainda mais isolamento e conflito, pois ele não se preocupa com as relações exteriores, a economia nem com coisa nenhuma", disse o analista.
Nas últimas semanas, Jalili tem atraído o apoio declarado do governo do Irã, formado por uma coalizão de clérigos conservadores e por comandantes da Guarda Revolucionária, conhecidos como tradicionalistas. Altos clérigos muçulmanos xiitas começaram a dar declarações favoráveis a Jalili, e uma rede nacional de paramilitares voluntários, a Basij, está atualmente ajudando na organização da campanha eleitoral do candidato.
Também nas últimas semanas Jalili tem sido descrito de maneira mais elogiosa pela agência de notícias semioficial Fars, que é ligada à Guarda Revolucionária, e por dezenas de sites e outros meios de comunicação. Em comparação, atualmente os outros candidatos têm tido algumas de suas apresentações de campanha canceladas por razões obscuras e, frequentemente, eles são submetidos a ataques violentos durante entrevistas concedidas à TV estatal iraniana, enquanto Jalili é saudado por perguntas bem camaradas.
"Ele vai obter facilmente 30% dos votos", disse Amir Mohebbian, analista próximo dos líderes iranianos, que ressalta a influência dos grupos bem organizados que apoiam Jalili. "O restante dos votos será dividido entre os outros candidatos".
Isso levaria a um segundo turno, durante o qual o governo se empenharia fortemente para favorecer Jalili e fazê-lo a vencer, uma vez que, sob a lei iraniana, o presidente deve receber pelo menos a metade dos votos.
As eleições presidenciais do Irã, na ausência de pesquisas de opinião independentes e não submetidas à manipulação, são notoriamente imprevisíveis. Em 2005, Ahmadinejad saiu do nada e venceu o pleito. Em 2009, milhões de pessoas saíram às ruas para protestar contra o que elas afirmavam ter sido uma fraude generalizada na eleição que levou Ahmadinejad de volta à presidência, em detrimento do candidato da oposição, Mir Hussein Moussavi, cuja popularidade era maior.
Mas as principais ameaças à candidatura de Jalili aparentemente foram eliminadas quando os representantes das duas facções políticas influentes no país, uma liderada por Ahmadinejad e a outra, pelo ex-presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, tiveram suas candidaturas impugnadas pelo Conselho Guardião, dominado pelos conservadores. Essa decisão ressaltou não apenas a determinação dos tradicionalistas para se consolidarem no poder, como também sua capacidade de garantir o resultado.
Em um artigo de opinião publicado recentemente, Mohebbian disse que, embora a relativa inexperiência em política interna de Jalili o faça parecer um outsider, o apoio do governo do Irã a sua candidatura possibilitou que "as atuais condições criem uma atmosfera que colocará Jalili em uma posição de liderança".
Embora o aiatolá Khamenei seja oficialmente neutro, os discursos e pontos de vista de Jalili se assemelham à visão de mundo de seu líder, que pintam um Irã engajado em uma batalha multifacetada contra o Ocidente.
"O melhor presidente", disse Khamenei na segunda-feira passada, falando a estudantes em uma academia militar, "é aquele que resiste tenazmente ao inimigo e que transformará a república islâmica em um exemplo internacional para os povos oprimidos do mundo".
Jalili, que ostenta uma barba grisalha e prefere camisas sem colarinho, liderou o gabinete do Ayatollah Khamenei durante quatro anos, a partir de 2001, antes de surgir, nos últimos anos, como o principal negociador do programa nuclear do país. Mas pouco se sabe sobre seus pontos de vista relacionados a outras questões.
"Jalili é como uma melancia", disse Mohammad Khoshchehreh, economista e professor da Universidade de Teerã. "Ele parece maduro por fora, mas eu não sei de que cor ele é por dentro".
Em parte devido às sanções ocidentais, a economia do Irã tem sofrido com a alta inflação e o enfraquecimento de sua moeda – mas, durante a campanha, Jalili abordou esses problemas de forma apenas indireta. Durante uma entrevista de TV, transmitida no domingo passado, ele disse que o Irã deveria reduzir sua dependência das receitas geradas pelo petróleo e estabelecer uma "economia de resistência, a fim de frustrar as conspirações contra o Irã".
Esse tipo de argumento deixou os economistas perplexos. "A teoria de Jalili sobre uma economia resistência não significa nada", disse Khoshchehreh. "Se ela se basear numa maior atenção aos nossos pontos fracos, isso pode ser bom, mas nós não temos ideia se ele tem um conhecimento profundo (sobre economia). Nós estamos preocupados com ele".
Na sexta-feira passada, durante o evento de campanha em Teerã, Jalili optou por explicar suas políticas utilizando citações do primeiro imã dos xiitas, o mártir Ali.
"Por toda a região, podemos ouvir o nosso grito de guerra, 'Ya Ali'", disse Jalili, que escreveu uma dissertação sobre a política externa do profeta Maomé. "Nós ouvimos nosso grito de guerra no Líbano, com a vitória do Hezbollah. Nós o ouvimos em nossa resistência contra o regime sionista. Nós conseguimos provar repetidas vezes a nossa força por meio desse slogan".
Enquanto ouviam-se canções saudando as batalhas travadas na cidade fronteiriça de Shalamcheh durante a guerra Irã-Iraque, homens davam socos no ar e gritavam: "O sangue em nossas veias pertence ao nosso líder".
O objetivo do Irã e seus aliados, disse Jalili, é "erradicar o capitalismo, o sionismo e o comunismo, e promover o discurso do Islã puro pelo mundo".
Ele não mencionou diretamente as sanções ocidentais que foram impostas devido ao programa nuclear do país – que o Irã insiste destinar-se a fins pacíficos, mas que, para o Ocidente, é um disfarce para o desenvolvimento de armas nucleares – nem a possibilidade de que as sanções sejam ampliadas em resposta à intransigência de Teerã. Ele também não falou sobre a possibilidade de um maior envolvimento na guerra civil da Síria, onde o Hezbollah, que atua como um enviado de Teerã, recentemente interveio para apoiar o governo sírio.
Se os aliados de Jalili nutrem algum tipo de preocupação sobre o que essas políticas podem significar para a economia iraniana, eles a guardaram para si. "Estamos lutando uma guerra ideológica – ninguém se importa com a economia", disse Amir Qoroqchi, 25, um sorridente estudante de engenharia elétrica da cidade sagrada de Qum. "A única coisa que importa é a resistência".
Durante décadas, os presidentes iranianos estabeleceram um centro de poder alternativo, que frequentemente entrava em conflito com o poder do líder supremo do país e dos membros mais conservadores do governo. Com a ascensão de Jalili e a aparente eliminação dos mais fortes candidatos presidenciais da oposição, aqueles que ficarem do lado perdedor do espectro político iraniano temem pelo surgimento de um desequilíbrio de forças.
As facções republicanas e religiosas autoritárias do governo do Irã "estão e sempre estiveram em conflito dentro do governo", disse Nafisi, especialista em questões relacionadas ao Irã.
 
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Rússia fornecerá mais 10 MiG-29M/M2 à Síria 31/05/2013

A Rússia fornecerá mais 10 caças MiG-29M/M2 à Síria em virtude de um contrato entre Moscou e Damasco, anunciou hoje o diretor-geral da Mikoyan, Sergei Korotkov.

"A delegação síria está esses dias em Moscou, se concentrado nos detalhes do contrato", revelou Korotkov, citado pela agência de notícias russas Interfax.
Antes da Guerra Civil Síria, a Al Quwwat al-Jawwiyah al Arabiya as-Souriya (Força Aérea Síria) dispunha de 22 MiG-29M/M2.
 
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O sistema bancário em resumo 31/05/2013


por Rudo de Ruijter [*]
Cartoon de Boyadijiev. O sistema bancário actual funciona de acordo com um princípio muito simples. Aquele que quer tomar dinheiro emprestado promete ao banqueiro que o reembolsará e sobre esta promessa o banqueiro lhe cria um activo. Sobre este activo o tomador do empréstimo deve juros.

É porque poucas pessoas sabem como isso funciona que quase ninguém vê como o funcionamento bancário baseado no vento parasita a sociedade como um tumor canceroso e reduz as pessoas a rodas dentadas a fim de apaziguar sua fome financeira.

O Banco Central Europeu (BCE) obriga os bancos a terem na reserva 2 cêntimos para euro que devem aos seus clientes. Nossos activos bancários são agora cobertos por uns poucos por cento de dinheiro real, o resto do dinheiro não existe. Portanto não temos dinheiro no banco, mas sim um activo do banco, uma promessa do banqueiro, de que nos dará dinheiro verdadeiro em contrapartida se lhe pedirmos.

Os bancos tomam emprestado o dinheiro verdadeiro do BCE. É o dinheiro no nosso porta-moedas. O dinheiro verdadeiro é igualmente utilizado sob forma electrónica nos pagamentos entre bancos.

Os clientes têm um activo bancário, mas isso não é dinheiro com o qual possam pagar. Eles tão pouco executam pagamentos (se bem que toda gente pense o contrário). Em vez disso, dão ordem de pagamento ao seu banco. Sobre esta, os bancos mudam os activos dos seus clientes e pagam os montantes de um banco para o outro. No tráfego diário de pagamentos interbancários, os bancos anulam os montantes que se devem mutuamente e à noite pagam apenas as diferenças. Assim, com muito pouco dinheiro os bancos, entre si, podem pagar milhões.

O tomador recebe um activo do seu banco e gasta-o. Assim o activo chega a uma outra conta bancária. O receptor por sua vez irá gastá-lo e assim o activo circula na sociedade e nos serve de dinheiro. E no momento em que o cliente reembolsa o seu empréstimo, o banqueiro deduzirá o montante do seu activo. Deste modo o activo criado desaparece. Portanto é preciso que novos empréstimos substituam aqueles que foram reembolsados a fim de manter suficiente pseudo-dinheiro em circulação. Se a quantidade diminuir, os tomadores já não podem mais reembolsar seus empréstimos e os bancos vão à falência.

Mas nem todos os activos continuam a circular. Também há pessoas que estacionam uma parte do seu activo numa conta de poupança. Os activos imobilizados em contas de poupança não participam mais na circulação e, em substituição, novos empréstimos devem ser emitidos. Naturalmente, destes empréstimos suplementares haverá igualmente uma parte que acaba como poupança. Para todos os empréstimos, tanto aqueles estacionados como aqueles em circulação, os tomadores devem trabalhar para encontrar dinheiro a fim de pagar os reembolsos e os juros. Eles não podem encontrar este dinheiro nas contas-poupança. Este dinheiro não pode ser ganho. Portanto cada vez mais reembolsos e juros devem ser pagos com o dinheiro em circulação. No fim, estas somas acabariam mesmo por ultrapassar o dinheiro disponível. A solução dos banqueiros? Ainda mais empréstimos!

Se se aumentar o dinheiro em circulação à mesma velocidade que a poupança, haverá sempre bastante dinheiro para os reembolsos e os juros. É por isso que temos a inflação. No "dinheiro" em circulação, os empréstimos acumulam-se cada vez mais.

Os juros para os poupadores são pagos pelos tomadores de empréstimos. Estes são frequentemente empresas como lojas, comerciantes grossistas, transportadores, produtores, sub-contratados e fornecedores de serviços. Eles acrescentam estes custos aos preços dos seus produtos. Finalmente, são os consumidores que os pagam. Cerca de 35% de todos os preços consistem de juros e esta percentagem aumenta sem cessar. [1]

Os juros que os poupadores recebem saem, em primeiro lugar, do chapéu do banqueiro como um activo suplementar, acrescentados à sua conta-poupança. Estes juros também acarretam juros. A 3% de juro a poupança duplica em 24 anos, a 4% em 18 anos. Portanto os ricos tornam-se cada vez mais rapidamente mais ricos. Hoje 10% dos europeus mais ricos detêm 90% das riquezas.

A massa de pseudo-dinheiro não cessa de crescer. Por volta de 1970 ela havia atingido o estágio em que os activos ultrapassam o Produto Interno Bruto. Havia muito mais pseudo-dinheiro do que o necessário para a economia normal. Isso levava ao desenvolvimento de um sector financeiro, onde se ganha o dinheiro com o dinheiro, ou seja, com juros e a inchar bolhas na bolsa. Os banqueiros sabiam que a longo prazo seria cada vez mais difícil manter o crescimento monetário e encontrar suficientes tomadores fiáveis a quem fornecer empréstimos.

Eles conseguiram convencer os governos de que seria melhor que não tomassem mais empréstimos junto ao seu banco central (o que na prática significava tomar emprestado sem juros) e, ao invés disso, tomar emprestado junto a bancos comerciais, portanto com juros. Em todos os países que aceitaram isso a dívida pública cresceu exponencialmente. Não porque estes governos fizessem mais dívidas, mas devido a juros sobre juros sobre a dívida existente. [2]

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Os governos deviam reduzir suas despesas para enfrentar o encargo crescente dos juros. Mas contra o efeito do crescimento exponencial dos juros não se poderá ganhar senão com reduções de despesas. Os governos deviam vender serviços públicos para reembolsar as dívidas. Uma longa vaga de privatizações seguiu-se, uma por um dos grandes empreendimentos, para os quais os banqueiros podiam fornecer empréstimos a tomadores privados.

Já em 1970 o banqueiro luxemburguês Pierre Werner apresentava um primeiro esboço do euro, que daria aos bancos a possibilidade de fornecer empréstimos numa região muito mais vasta. Economistas eminentes advertiam que uma moeda única numa zona economicamente heterogénea levaria a grandes problemas. Economistas previam que os países cujas possibilidades de produção fossem menores seriam inundados por produtos menos caros vindos dos países mais produtivos, como a Alemanha. As empresas dos países fracos iriam à falência, ao passo que o dinheiro deixaria o país como pagamento dos produtos importados. [3] Exactamente como aconteceu.

Os países endividados. Os países fracos encontram-se endividados, sem possibilidade de saída. Os bancos lucram com estas montanhas de dívidas crescentes e fazem com que os riscos sejam suportados pelos pagadores de impostos. Em 2012 os governos da zona euro estabeleceram o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) alimentado sem limite [4] pelos impostos dos cidadãos, que reembolsará todas as perdas que os prestamistas sofram nos países fracos.

A solução de todos estes problemas é tão simples como a sua causa. Devemos erguer um banco de todos nós, um banco do Estado, que tenha o direito exclusivo de criar dinheiro. É preciso proibir os empréstimos de dinheiro inexistente. Um banco de Estado não tem necessidade de capital, nem de lucros. Além disso, os juros podem permanecer muito baixos ou serem compensados fiscalmente. Os juros são destinados à comunidade. Um tal sistema de dinheiro não tem necessidade de crescimento [da massa] de dinheiro, nem de competição, nem de exploração e nem de desemprego. Se decidido democraticamente, o governo poderá retomar os serviços colectivos e geri-los no interesse dos cidadãos. Igualmente, poder-se-á privilegiar os investimentos desejáveis para a sociedade e não para aqueles que proporcionam benefícios financeiros o mais rapidamente possível. O governo não estará mais dependente dos bancos. A dívida pública será do passado. Colectivamente podemos tirar proveito de uma sociedade durável e de bem-estar ao invés do afundamento, da dilapidação e da pressão sempre crescente sobre os trabalhadores para agradar os prestamistas de dinheiro.

Sobrará mesmo dinheiro e tempo para instalar um museu das estátuas de cera, onde poderemos conservar os lobos financeiros e seus cúmplices políticos como uma advertência às gerações futuras: cuidado com os banksters!
07/Maio/2013

Notas e referências
[1] Helmut Creutz & www.vlado-do.de/money/index.php.de
[2] Ellen Brown: Canada: a tale of two monetary systems
[3] Uit de euro, en dan? www.courtfool.info/fr_Sortir_de_l_euro.htm
[4] ver Tratado do Mecanismo de Estabilidade Euroeia, artigos 10.1 e 10.2
www.courtfool.info/ESM_treaty_2_Feb_2012/fi_ESM_14-tesm2.fi12.pdf


[*] Investigador independente.

O original encontra-se em www.courtfool.info/fr_Le_systeme_bancaire_en_bref.htm


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

NASA encontra novas provas para existência de água em Marte 31/05/2013


Fotos do terreno de Marte demonstram rochas com inclinação e formato que indicariam vestígios de antigos cursos de água | Foto: Divulgação/NASA
O robô Curiosity, da agência espacial norte-americana, a NASA, descobriu mais indícios da existência de água em Marte. O Curiosity chegou na superfície de Marte em agosto de 2012 e, desde então tem feito diversas fotografias de várias áreas do planeta. Também foram examinadas 515 pedras. Os analistas da NASA verificaram que algumas tinham a superfície redonda e lisa como se viessem de leitos de rios. O estudo completo está publicado na revista Science.
O diretor do grupo de investigação sobre Marte no Instituto Niels Bohr, Morten Bo Madsen, disse que as descobertas oferecem mais pistas sobre o passado do planeta. Se atualmente o planeta é árido, os cientistas encontraram provas de que a água fluiu na sua superfície há milhões de anos. Os robôs Spirit e Opportunity, ambos da Nasa, já haviam encontrado sinais da existência passada de água em Marte.
Em março, a agência espacial informou que a análise de uma amostra de rocha recolhida pelo Curiosity revelou que Marte teve condições para abrigar vida em forma de micróbios. Os cientistas identificaram enxofre, nitrogênio, hidrogênio, oxigênio, fósforo e carbono, que são alguns dos elementos essenciais para a vida.
Com informações da NASA e da Agência Brasil.

Justiça absolve criminosos e condena blogueiros 31/05/2013

Lula Miranda
LULA MIRANDA
É... a Justiça tem mesmo sua parcela de culpa nesse mundo injusto em que vivemos. Faz-se necessário que reformemos, urgentemente, também a nossa Justiça. Antes que testemunhemos impávidos a sua completa ruína
Leio no Brasil 247 que o impagável Paulo Henrique Amorim será obrigado a pagar R$100 mil em multas pecuniárias por ter sido condenado por “ofensa a honra e dano moral” em processo movido por ministro do Supremo, quando, em verdade, apenas exercia ad libitum o seu papel de jornalista e blogueiro. A blogosfera seria outra (mais pobre) sem a argúcia, o desassombro e a irreverência de PHA. Certamente por isso desejem calá-lo e à blogosfera progressista. Para esmorecer e intimidar seus principais agentes, e assim arrefecer a força da palavra na internet. Mas não conseguirão. Nossa rede é envolvente; é libertária e libertadora.
Devemos estar de olhos bem abertos e vigilantes, pois os conservadores vivem buscando modos e maneiras para censurar, calar a internet. Vivem tentando emplacar leis nesse sentido no Congresso, utilizando-se de projetos de leis ordinários (as). 
Outro flanco de ataques, mais sub-reptício e solerte,  e pretensamente mais eficaz, como se sabe, é a tentativa de fazer calar os blogueiros por intermédio de incessantes e reiteradas ações na Justiça, aplicando-lhe multas altíssimas, impagáveis para a maioria, para assim lhes tirar suas penas e vozes “incômodas” da blogosfera.
Suponho que os R$100 mil, que para a maioria seria uma “paulada” que levaria ao nocaute ou à insolvência, não façam nem cócegas na conta bancária ou no patrimônio do afamado e irreverente jornalista – patrimônio constituído, diga-se, à custa de seus inquestionáveis méritos e de seu trabalho na grande imprensa durante décadas. E que hoje lhe serve de alicerce e lhe dá a necessária sustentação. Tampouco há pecado em trabalhar na grande imprensa ou fazer fortuna à custa do talento e esforço pessoal. Isso nem vem ao caso.   
O que vem ao ocaso é, e aqui cabe a pergunta: onde foi parar a tal liberdade de imprensa ou de expressão? De cabeça, cito ainda as condenações que sofreram Rodrigo Viana, Azenha, Luis Nassif, Fábio Pannunzio, dentre outros tantos. Nem vem ao caso também se gostamos dos blogueiros citados, ou se concordamos com suas ideias. Devemos, entretanto, defender o direito inalienável deles de expressá-las, como já nos ensinara aquela frase indevidamente atribuída ao filósofo Voltaire, mas que teria sido cunhada pela sua biógrafa, Evelyn Beatrice Hall. Viva a controvérsia.
 Curiosamente, quase todos os processados e condenados são do campo mais “progressista” ou “de esquerda”. Será que também seria leviano e “criminoso” da minha parte, também passível de condenação e pesadas multas, afirmar que para o nosso Judiciário alguns têm mais liberdade de expressão que outros? Perguntar não ofende.
Coincidentemente, escutei hoje no ônibus, voltando do trabalho, uma memorável conversa entre três homens simples do povo. Eles falavam da violência e do clima de intranquilidade em que vivem em São Paulo. E reclamavam que a polícia até prendia os bandidos, muitos até réus confessos e presos em flagrante delito, mas que estes eram em seguida postos em liberdade pela Justiça. Citaram o caso de um homem que matou uma criança numa briga com o pai desta, recentemente.  A culpa é da Justiça! – diziam de modo enfático.
É... a Justiça tem mesmo sua parcela de culpa nesse mundo injusto em que vivemos. Faz-se necessário que reformemos, urgentemente, também a nossa Justiça. Antes que testemunhemos impávidos a sua completa ruína.
É preciso que separemos os frutos podres dos bons, também no Judiciário. Mas não podemos esquecer também dos “putrefatos frutos” no Executivo e do Legislativo. Nos âmbitos federal, estadual e municipal. Antes que apodreçamos todos bem acomodados no mesmo balaio.

CONSPIRAÇÃO CONTRA A PÁTRIA 31/05/2013



O Jornal do Brasil mantém a confiança na chefia do estado DemocráticoJornal do BrasilO mundo inteiro passa por uma crise econômica e social, decorrente da ganância dos banqueiros, que controlam o valor das moedas, o fluxo de crédito, o preço internacional das commodities. Diante deles, os governos se sentem amedrontados, ou cúmplices, conforme o caso e poucos resistem.A União Europeia desmantela-se: o fim do estado de bem-estar, o corte nos orçamentos sociais, a desconfiança entre os países associados, a indignação dos cidadãos e a incapacidade dos governantes em controlar politicamente a crise, que tem a sua expressão maior no desemprego e na pauperização de povos. Se não forem adotadas medidas corajosas contra os grandes bancos, podemos esperar o caos planetário, que a irresponsabilidade arquiteta.A China, exposta como modelo de crescimento, é o caso mais desolador de crescente desigualdade social no mundo, com a ostentação de seus bilionários em uma região industrializada e centenas de milhões de pessoas na miséria no resto do país. Isso sem falar nas condições semiescravas de seus trabalhadores – já denunciadas como sendo inerentes ao “Sistema Asiático de Produção”. Os Estados Unidos, pátria do capitalismo liberal e neoliberal, foram obrigados a intervir pesadamente no mercado financeiro a fim de salvar e reestruturar bancos e agências de seguro, além de evitar a falência da General Motors.Neste mundo sombrio, o Brasil se destaca com sua política social. Está eliminando, passo a passo , a pobreza absoluta, ampliando a formação universitária de jovens de origem modesta, abrindo novas fronteiras agrícolas e obtendo os menores níveis de desemprego de sua história.Não obstante esses êxitos nacionais, o governo está sob ataque histérico dos grandes meios político-financeiros. Na falta de motivo, o pretexto agora é a inflação. Ora, todas as fontes demonstram que a inflação do governo anterior a Lula foi muito maior que nos últimos 10 anos. O Jornal do Brasil, fiel a sua tradição secular, mantém a confiança na chefia do Estado Democrático e denúncia, como de lesa-pátria, porque sabota a economia, a campanha orquestrada contra o Governo – que lembra outros momentos de nossa história, alguns deles com desfecho trágico e o sofrimento de toda a nação.

Portugal corta gastos em novo orçamento para 2013 30/05/2013




O governo português confirmou nesta quinta-feira que vai impor tetos de gastos em todos os ministérios, cortar contratos de parcerias público-privadas e aumentar as horas de trabalho no setor público para economizar o pagamento de horas extras. As medidas visam atingir a meta de déficit orçamentário de 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano."Como prometemos, não haverá (novos) aumentos de impostos", disse o porta-voz do governo, Luís Marques Guedes, após reunião em que os ministros aprovaram mudanças no plano de orçamento inicial para 2013.Guedes rejeitou a previsão ruim da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que estimou para este ano um déficit de 6,4% do PIB, o mesmo nível de 2012. O porta-voz disse que a OCDE não levou em conta as mudanças no plano de orçamento, que será entregue ao Parlamento na sexta-feira pela manhã. A aprovação do plano é altamente provável, já que o Parlamento é composto em sua maioria pela base aliada do governo.O antigo plano para 2013 foi descartado no mês passado, depois de um tribunal superior declarar inconstitucionais algumas medidas de austeridade avaliadas em 1,3 bilhão de euros.Guedes afirmou ainda que, para ajudar a preencher a lacuna, pensionistas que participam do plano de saúde estatal terão de contribuir mais. O governo também deve manter os impostos sobre os benefícios para a saúde e para desempregados, que haviam sido rejeitados pelo tribunal, mas agora os tributos não incidirão sobre pessoas de baixa renda.Desde que Portugal solicitou resgate de 78 bilhões de euros em 2011, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho impôs uma série de cortes de gastos e aumentos de impostos para reduzir o alto déficit orçamentário do país. As medidas, no entanto, atingiram duramente o consumo interno, levando a uma profunda recessão, com o desemprego chegando a 18%

Número de desempregados na França tem novo recorde 31/05/2013



O número de desempregados na França subiu 39,8 mil em abril, ou 12,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado, atingindo o nível recorde de 3,264 milhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério do Trabalho.Uma medição mais ampla do número de desempregados, que inclui também aqueles com serviços de meio período, avançou 58,1 mil (1,2%) em abril, para 4,799 milhões. Já o desemprego entre os jovens - com menos de 25 anos - teve alta anual de 11,3%.Antes da divulgação do dado, o primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, reconheceu que os números de abril seriam ruins. "Nós estamos saindo de um período de dois trimestres de recessão que atingiu a França e toda a zona do euro. Sob essas condições, reanimar o mercado de trabalho vai ser difícil", afirmou. 
 
As informações são da Market News International

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Força Aérea poderá abater aviões sem autorização da presidente durante Copa das Confederações 30/05/2013

DefesaNet

Fernando Cavalcanti
Nos dias de jogos da Copa das Confederações, a Aeronáutica terá permissão para abater aeronaves em espaço aéreo brasileiro consideradas hostis sem precisar da autorização da Presidência da República. Nas próximas semanas, um decreto será publicado pela presidente Dilma Rousseff autorizando a operação defensiva, que só será adotada em caso de necessidade extrema.
Pela lei brasileira, em tempos de paz, aviões só podem ser abatidos do ar pelas Forças Armadas após autorização expressa do Palácio do Planalto. Mas, de acordo com o coronel aviador Alcides Teixeira Barbacovi, chefe do Estado-Maior Conjunto do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro, durante a Copa das Confederações, que começa no próximo dia 15, será delegado o poder de policia ao Comandante da Aeronáutica.
Isso significa que a decisão de abate , que no momento é prerrogativa exclusiva da Presidente da República, poderá ser tomada pelo comandante da Aeronáutica. Com esse expediente, o tenente brigadeiro do Ar Juniti Saito poderá autorizar a derrubada de qualquer aeronave que coloque em risco grave a segurança nacional durante da Copa das Confederações.
Na última quarta-feira, a FAB (Força Aérea Brasileira) anunciou quais serão as alterações na política de controle do espaço aéreo brasileiro durante o torneio da Fifa, que acontecerá em seis capitais do país. Os militares aproveitaram a oportunidade para demostrar à imprensa suas capacidades e operações de defesa, simulando a interceptação de um avião suspeito por uma par de caças F5M.
Conforme antecipou o UOL Esporte, o esquema de defesa se dará em camadas concêntricas ao redor dos estádios que receberão os jogos. Nas cidades que receberão as partidas, uma série de restrições será imposta à aviação desde uma hora antes do início do jogo até quatro horas depois do término do evento.
Será criada uma área reservada no espaço aéreo, onde qualquer avião que não se identificar ao ingressar, será interceptado em até três minutos. Na área proibida, somente aeronaves militares, de salvamento ou essenciais para o funcionamento do evento, como as de imprensa, poderão voar.
Para garantir que ninguém esteja onde não deve, a FAB vai contar com pelo menos três aeronaves no ar fazendo o policiamento do espaço aéreo da cidade-sede nos dias de jogos. São elas: um caça supersônico F5M, um avião de ataque leve Super Tucano e um helicóptero artilhado (Black Hawk ou Sabre), com o eventual apoio de uma avião radar R99 e de um reabastecedor. No solo ficarão mais um de cada modelo para fazer o revezamento.
Segundo a FAB, esta operação não irá afetar a defesa das fronteiras do país, realizada com caças que compõem a frota da operação permanente Alerta Brasil, sempre a postos para defender intrusões do espaço aéreo nacional.
No exercício militar realizado na última quarta-feira, um avião Brasília C-97 do Terceiro Esquadrão de Transporte Aéreo representou o papel do avião suspeito. Simulando um voo com transponder (sistema de comunicação com outras aeronaves) desligado, ele foi interceptado por um par de F5Ms que, por rádio, exigiram que a aeronave se identificasse e os acompanhasse para a base aéra de Santa Cruz.
Lá, o avião foi abordado por uma tropa da infantaria da Aeronáutica, que se assegurou que o aviao e os seus ocupantes não eram hostis. Segundo a FAB,1.200 dessas tropas ficarão à disposição durante a Copa das Confederações para qualquer eventualidade.

As revoluções simultâneas de Dilma Rousseff 30/05/2013

Do blog O Cafezinho


Enviado por  on 30/05/2013 – 5:30 am
Santos vai na contramão de todas as análises pessimistas e identifica no presente uma série de transformações em curso, muitas das quais silenciosas, mas todas profundas e reais.
O tempo das revoluções simultâneas
Por Wanderley Guilherme dos Santos, cientista político.
A Lei de Responsabilidade Fiscal de Fernando Henrique Cardoso foi um dos últimos atos da república oligárquica brasileira, atenta à estabilidade da moeda e fiadora de contratos. Necessária, sem dúvida, mas Campos Sales, se vivo, aplaudiria de pé em nome dos oligarcas. Mas já não ficaria tão satisfeito com que o veio a seguir. Depois de promover drástica rearrumação nas prioridades de governo, o presidente Lula instaurou no país uma trajetória de crescimento via promoção social deixando para trás, definitivamente, a memória de Campos Sales e de seus rebentos tardios. Milhões de famílias secularmente atreladas às sobras do universo econômico foram a ele integradas como ativos atores e consumidores. Desde agora, para desgosto de alguns e expectativa de todos os demais, a história do Brasil não se fará sem o concurso participante do trabalho e das preferências desse novo agregado a que chamamos de povo.
Com Dilma Rousseff instalou-se a desordem criadora, aquela que não deixa sossegada nenhuma rotina nem contradição escondida. Não há talvez sequer um segmento da economia, dos desvãos sociais e das filigranas institucionais que não esteja sendo desafiado e submetido a transformação. Da assistência universal à população, reiterando e expandindo a trilha inaugurada por Lula, à reformulação dos marcos legais do crescimento econômico, à organização da concorrência, à multiplicação dos canais de troca com o exterior, ao financiamento maiúsculo da produção, aos inéditos programas de investimento submetidos à iniciativa privada, a sacudidela na identidade nacional alcança de norte a sul. A cada mês de governo parece que sucessivas bandeiras da oposição tradicional tornam-se obsoletas. Já eram.
O tempo é de revoluções simultâneas, cada qual com seu ritmo e exigências específicas, o que provoca inevitáveis desencontros de trajetos. Uma usina geradora de energia repercute na demanda por vários serviços, insumos, mão de obra, criando pressões, tensões, balbúrdias. Li em Carta Maior (9/4/13) que a Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção informa que, no Brasil, convivem hoje 12.600 obras em andamento e agendadas até 2016. Ainda segundo a mesma fonte, das 50 maiores obras em execução no planeta, 14 estão sendo realizadas no país. Claro que os leitores não serão informados pela mídia tradicional. A monumental transformação do país, que não precisa apenas crescer, mas descontar enorme atraso histórico, produz entrechoques das dinâmicas mais díspares, o que surge, na superfície, como desordem conjuntural. É, contudo, indicador mais do que benigno. Mas disso os leitores só são informados em reportagens e manchetes denunciando o que estaria sendo o atual desgoverno do país. Qual…
Os melhores informativos do estado geral da nação encontram-se nos portais do IBGE, do IPEA e afins. Os antigos jornalões apequenaram-se. São, hoje, nanicos.
Wanderley Guilherme dos Santos é cientista político. Ás quintas, publica a coluna Cafezinho com Wanderley Guilherme.

Biden desfila no Rio cobiça dos EUA ao petróleo 30/05/2013

247 – Mais simpático, impossível. Com o interesse declarado dos Estados Unidos em participar das licitações do pré-sal, o vice-presidente americano Joe Biden circula pelo Rio com a mulher Jill distribuindo sorrisos. Na manhã desta quinta-feira 30, ele subiu o morro Santa Marta, em Botafogo, a partir de um esquema de última hora para driblar a greve dos condutores do teleférico, por pagamento de horas extras e benefícios. Funcionários foram descolados de outra área para suprir a falta.
Biden se encontra na sexta-feira com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília. No Rio, em pronunciamento oficial, ele afirmou que os Estados Unidos tem interesse em "serem parceiros da exploração de petróleo em águas profundas", garantido que as empresas do país tem tecnologia para tanto. Em novembro de 2011, um vazamento provocado pela americana Chevron, na bacia de Campos, resultou em suspensão de atividades e multa milionária à companhia. Dezenas de praia foram poluídas.
Biden disse que o Brasil já não é mais um país emergente. "E isso é uma má notícia, porque as cobranças serão maiores", pontuou. Em Brasília, Biden pretende insistir no interesse dos americanos nas matrizes energéticas do Brasil e em temas de segurança. Espera-se que ele não volte com a história de a tríplice fronteira com Paraguai e Argentina ser um polo da Al Qaeda na América do Sul. Esse é o pretexto usado pelos americanos para querer instalar uma base aérea no Paraguai.

Bombardeio de saturação é ‘nova’ tática pré-eleitoral contra Dilma 30/05/2013



Faz todo sentido do mundo usar uma metáfora militar para definir a estratégia do grupo político que congrega meia dúzia de impérios de comunicação, três partidos de oposição e que trata de tentar cooptar partidos volúveis da base aliada contra o governo Dilma Rousseff.
Bombardeio de saturação é uma tática militar antiga. Consiste em um bombardeio intenso, rápido e concentrado, disparado de várias origens, contra uma determinada área que se quer destruir.
A metáfora ilustra o noticiário de grandes meios que ora ataca o governo com versões sobre o desempenho econômico do país. O que se percebe, nesse processo, é o virtual abandono do recurso a denúncias de corrupção e uma aposta sôfrega na construção de uma realidade virtual.
A tática já foi usada contra este governo e o anterior, mas quase sempre tendo como mote a corrupção. Eis que o conclave que envolve partidos de centro e de extrema direita conclui que apelar à “ética” do brasileiro não funciona e, assim, “descobre” que o povo só pensa no próprio bolso.
O jeito, pois, está sendo tentar criar uma realidade alternativa que faça com que a sociedade – ou a maior parte dela – acredite que o Brasil está indo mal e que o desastre econômico se avizinha.
Dirão que essa tática não é exatamente novidade – e não é –, mas a visão das forças políticas que controlam a comunicação de massas é a de que o momento é propício para usá-la porque haveria elementos de verdade no mau momento econômico que o país estaria atravessando.
Pode-se notar que, desde o início do ano, denúncias de corrupção perderam força. E perderam porque, ano passado, a aposta no julgamento do mensalão como forma de gerar uma fragorosa derrota eleitoral ao PT nas eleições municipais, mostrou-se um rotundo fracasso.
Nesse aspecto, o ano começa com o anúncio por toda a grande mídia e pela oposição de uma gigantesca catástrofe que estaria prestes a se abater sobre o país: haveria racionamento de energia elétrica.
Durante semanas a fio, o pânico se instalou. Ações de empresas geradoras e distribuidoras de energia despencaram; empresários paralisaram planos de investimentos; preços foram reajustados “preventivamente”.
Com a economia andando lentamente, racionar energia elétrica jogaria o país em uma profunda recessão.
Todavia, a mídia e a oposição foram vítimas de “especialistas” que dizem o que elas querem não só para ganharem espaço e notoriedade, mas para não correr o risco de contrariar impérios de comunicação que detém poder para destruir vidas por meio da difamação.
Esses “especialistas” deram esperança à oposição e à mídia de que seria possível ocorrer tal hecatombe econômica, apesar de que a estruturação do setor energético brasileiro a partir da catástrofe de 2001/2002 erigiu mecanismos para impedir que voltasse a ocorrer.
O resto da história todos conhecem, o que dispensa maiores considerações. Resumindo, portanto: não deu certo.
A partir dali, o desempenho modesto do PIB e a inflação se tornaram a nova aposta. Até porque, havia e há dificuldades nessas áreas não só para o Brasil, mas para o planeta Terra – sobretudo no que concerne ao crescimento das economias.
A evolução modesta do PIB – o tal “pibinho” – poderia convencer os brasileiros de que os ganhos em qualidade de vida da década passada e do início desta estariam para terminar.
A aposta continua forte apesar de o nível de emprego continuar incrivelmente alto e melhorando mês a mês. Afinal, as políticas governamentais de combate a uma inflação gerada exclusivamente pelo patamar alto – ainda que estagnado – de atividade econômica frearam o crescimento da renda das famílias, que foi contido porque o país não tem condições de arcar com mais crescimento da renda e dos salários.
Houve um crescimento muito rápido do poder aquisitivo dos brasileiros na década passada. As hordas de brasileiros – inclusive de classe média-média – que saem pelo mundo torrando dinheiro fazem com que, no exterior, pensem que estamos ricos.
Nesse aspecto, a recente visita do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ilustra bem o excelente momento pelo qual o país atravessa, apesar do crescimento modesto.
O Jornal Nacional da última quarta-feira evitou noticiar mais detidamente declarações de Biden que contrariam uma das vertentes do bombardeio de saturação em curso contra o governo Dilma, o ataque ao Bolsa Família, que, após sucesso inegável, volta a ser alvo de acusações de produzir “acomodação” e de “perpetuar a miséria”.
Assim como a ONU, o Banco Mundial e dezenas de países (muitos, desenvolvidos), Biden elogiou fartamente o Bolsa Família.
Segundo ele, o resto do mundo olha para o Brasil com inveja. E isso justo no momento em que a direita midiática, após espalhar um boato criminoso sobre extinção do programa, tenta atribuí-lo ao governo de forma literalmente surreal, pois a tese não resiste ao menor exercício de lógica.
As palavras de Biden: “O Bolsa Família é copiado em mais de quarenta países. O Brasil mostrou que não é preciso que uma nação escolha a democracia ou desenvolvimento. Os brasileiros mostraram que política econômica e desenvolvimento social podem andar juntos. Vocês já se desenvolveram e esta é uma má notícia, porque a cobrança é muito maior“.
O vice-presidente dos EUA veio ao Brasil justamente porque, à exceção de publicações internacionais como o ultraconservador The Economist, nosso país é retratado hoje como um dos poucos polos de desenvolvimento mundial e detentor de um mercado consumidor gigantesco e ávido.
O mundo desenvolvido sabe que o PIB baixo é momentâneo e que o crescimento que temos tido, com distribuição de renda, redução da pobreza, valorização dos salários e forte criação de empregos, é um fenômeno surpreendente.
O gráfico abaixo mostra que o Brasil está crescendo na média do mundo, mas com o diferencial de que, ao contrário do resto dele, crescemos com inflação controlada – e cadente – e com melhora a olhos vistos de nossos problemas sociais.

Como se vê, até a China está crescendo muito menos. A potência que mais cresce no mundo, cujo ritmo de evolução do PIB sempre andou por volta dos 12% ao ano, vem tendo crescimento que é quase a metade de sua média histórica. Enquanto isso, o Brasil já cresce mais do que tigres asiáticos como a Coréia do Sul.
Todavia, no mesmo dia em que o vice-presidente dos Estados Unidos demonstra quão formidável vem sendo o desempenho econômico do país, telejornais, jornais, revistas, grandes portais de internet, hordas de colunistas, editoriais e até cartas de leitores entoam um monocórdico discurso sobre nossas misérias imaginárias.
Não há quase espaço para outro tom na grande mídia. A tática militar de bombardeio de saturação depende da ausência de divergência da tese “oficial” sobre a decadência do país.
Esse processo já foi visto outras vezes, inclusive com foco na economia. Entre 2008 e 2009, quando eclodiu a crise econômica internacional, na mídia era dado como certo que o Brasil quebraria e que mergulharíamos em uma profunda crise econômica, com desemprego, recessão etc.
A grande diferença é a de que, à época, o então presidente Lula fazia um forte contraponto ao noticiário e, devido ao palanque natural e obrigatório que cargo de presidente concede ao seu detentor nos meios de comunicação, não havia como deixar de reproduzir sua contra-argumentação.
Lula foi à tevê e exortou os brasileiros a não acreditarem no noticiário. Assim, apesar de a mídia acusá-lo de “mistificador” de uma situação que seria “catastrófica”, ao ter que reproduzir o que dizia os brasileiros tiveram acesso a outra versão dos fatos.
Agora, porém, vivemos uma situação preocupante. O mutismo da presidente Dilma Rousseff a está enfraquecendo politicamente e isso está se refletindo através dos problemas crescentes que o seu governo está enfrentando com a base aliada no Congresso.
A ausência de contraponto, de reação ao bombardeio de saturação em curso, de mutismo que se baseia na tese de que o que o brasileiro sente no bolso e no cotidiano destoa do noticiário, é uma aposta perigosa. Assim, a base aliada está sendo motivada a pular fora do barco.

Adivinhem o que Joe Biden veio fazer no Brasil? 30/05/2013



Joe Biden, o vice-presidente dos Estados Unidos está no Brasil.
Esqueçam as louvações e os salamaleque  da mídia da plantation.
Joe não veio ao Brasil para fazer negócios ( pode até realizar alguns).

A razão da vinda se prende a apenas um fator: bomba atômica.
Nas últimas semanas têm sido ensurdecedores os rumores na terra do Pai Thomaz( o da Cabana, alguém já leu?) de que alguns militares brasileiros, nacionalistas, têm dirigido sua atenção sobre a defesa do país contra a  voracidade insaciável dos mascadores de fumo.
Em Brasília, dizem, os nacionalistas já falam abertamente da necessidade do Brasil iniciar a produção de bombas para se defender.
Ou isso, ou não poderá pertencer ao concerto das nações respeitáveis.
Dirão: mas ele precisa vir?
E os espiões da CIA aninhados  nos escaninhos do poder?
Para as pessoas que contam nos EUA, a CIA não é mais confiável.
Há algum tempo se tornou independente, um poder dentro do poder, apesar dos esforços  do presidente Obama em contrário.
Grande parte dos organismos de espionagem dos Estados Unidos estão trabalhando por conta própria, com verba de bilhões de dólares à disposição.
Adivinhem quem paga a conta?
Façam um esforço, observem onde estão as deflagrações e concluam por si.
O planeta nunca esteve tão próximo do precipício.
Apesar do empenho de uns e outros, mas impotentes.
Esses nacionalistas brasileiros sabem que  os Estados Unidos não dão a mínima para a autodeterminação dos povos e colocam seus interesses acima da lei e justiça.
Haverá algum ingênuo que duvide disso?
Sempre os há,  claro, mas o importante é que brasileiros que contam estão se mexendo.
Vamos observar as entrelinhas.

E voltar ao assunto se for o caso.
Postado por

Taxa Selic sobe para 8% ao ano 30/05/2013

Da Agência Brasil

Banco Central aumenta juros básicos da economia pela segunda vez seguida, para 8% ao ano

29/05/2013 - 20h36
Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Pela segunda vez seguida, o Banco Central (BC) reajustou os juros básicos da economia. Por unamidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 8% ao ano. “O comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”, informou o Copom em comunicado.
Em abril, o Copom iniciou um novo ciclo de alta nos juros básicos, depois de quase dois anos sem aumento, e elevou os juros básicos para 7,5% ao ano. Desde agosto de 2011, a taxa Selic vinha sendo reduzida sucessivamente até atingir 7,25% ao ano em outubro de 2012, o menor nível da história. Nas três reuniões seguintes, em novembro de 2012, janeiro e março deste ano, o Copom optou por não alterar a taxa.
A taxa Selic é o principal instrumento do BC para manter a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dentro da meta estabelecida pela equipe econômica. De acordo com o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação corresponde a 4,5% (centro da meta), com margem de tolerância de dois pontos percentuais, podendo variar entre 2,5% (piso da meta) e 6,5% (teto da meta).
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desde julho do ano passado, o IPCA acumulado em 12 meses vem subindo. Em março, o índice acumulado chegou a 6,59% e ultrapassou o teto da meta de inflação do governo, que é 6,5%. Em abril, a inflação oficial em 12 meses recuou um pouco, para 6,49%.
Por outro lado, o aumento da taxa Selic prejudica o reaquecimento da economia, que cresceu apenas 0,9% no ano passado e ainda está sob o efeito de estímulos do governo, como desonerações e crédito barato. Hoje, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, teve alta de 0,6% de janeiro a março na comparação com o trimestre anterior. O número veio abaixo das previsões do mercado, que apostava em expansão de 0,9% no trimestre. Em 12 meses, a expansão chega a 1,2%.
Usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), a taxa Selic serve como referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la, o Banco Central contém o excesso de demanda, que se reflete no aumento de preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas alivia o controle sobre a inflação.

Edição: Aécio Amado

Brasil deixa de ser lanterna dos Brics e fica atrás apenas da China, diz IBGE 30/05/2013


PIB do País subiu 1,9% ante o mesmo trimestre do ano anterior - mesmo porcentual apurado pela África do Sul -, superando a Rússia (1,6%) e atrás apenas da China (7,7%)

Agência Estado

Agência Estado
Roberto Stuckert Filho/PR
Presidenta Dilma Rousseff, ao lado dos presidentes da China (esq.), da África do Sul e da Rússia e do primeiro ministro da Índia, participa da abertura da 5ª Cúpula dos Brics
Após ficar na lanterna dos países do grupo Brics (que inclui ainda a Rússia, Índia, China e África do Sul) no ano passado, o Brasil fechou o primeiro trimestre de 2013 com um desempenho melhor. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro subiu 1,9% ante o mesmo trimestre do ano anterior - mesmo porcentual apurado pela África do Sul -, superando a Rússia (1,6%) e atrás apenas da China (7,7%). A Índia só divulgará os dados de suas contas nacionais na sexta-feira, 1º de junho.
"A curva mostra um movimento recente (dois últimos trimestres) de desaceleração nesses países (China, Rússia e África do Sul), enquanto o Brasil vai na direção oposta", observou a gerente da coordenação de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis. Embora a China ainda apresente um crescimento superior à média, uma redução no ritmo de alta do PIB chinês pode ter impactado no desempenho das exportações brasileiras e deve ser observado, alertou Rebeca.
A comparação com países da Europa, Ásia e com os Estados Unidos foi feita em relação ao trimestre imediatamente anterior, base em que o Brasil cresceu 0,6%. As economias europeias continuaram apresentando desempenho pífio. A União Europeia como um todo teve recessão de 0,1%.
Na lista analisada pelo IBGE, a Alemanha, motor da economia da Europa, mostrou crescimento de apenas 0,1%. O PIB foi negativo para a França (-0,2%), Portugal (-0,3%), Itália (-0,5%), Espanha (-0,5%). O Reino Unido cresceu 0,3% de janeiro a março.
Os Estados Unidos registraram uma alta de 0,6% no PIB, resultado semelhante ao brasileiro. Na Ásia, a economia da Coreia do Sul e a japonesa, que vem adotando uma política expansionista, avançaram os mesmos 0,9%.

Joe Biden, vice presidente dos EUA, está no Brasil, em busca de parcerias comerciais 30/05/2013

Vice americano começa visita ao Brasil

Durante 3 dias, Joe Biden tentará parcerias comerciais e energéticas no Rio e em Brasília; temas de política externa devem ficar de fora


CLARISSA THOMÉ / RIO - O Estado de S.Paulo
O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, inicia hoje visita de três dias ao Brasil pelo Rio de Janeiro, onde debaterá sobre cooperação tecnológica e inovação com os do 'instinto animal' e ONGs. Além de buscar aproximação nas áreas comercial e científica, Biden prepara terreno para a visita da presidente Dilma Rousseff a Washington, em outubro.
A tendência é evitar temas de política externa em que não há sintonia, como a guerra na Síria e o programa nuclear do Irã.
A palestra para 600 convidados, no Píer Mauá, será seu único compromisso nos dois dias de permanência no Rio com cobertura de imprensa autorizada.
Sob forte esquema de segurança, Biden visitará amanhã uma das oito favelas pacificadas da Zona Sul. O local não foi divulgado pela assessoria de imprensa do consulado americano. O mais provável é que ele vá ao Morro Dona Marta, primeira favela a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em dezembro de 2008, e local onde a pacificação está mais consolidada. A mulher de Biden, Jill, também visitará um projeto social em uma favela da Zona Sul, na tarde de hoje.
Além de participar do encontro no Píer Mauá, o vice-presidente irá hoje ao Centro de Pesquisa da Petrobrás (Cenpes), na Ilha do Fundão, Zona Norte do Rio, discutir parcerias na área energética. Ali, terá uma reunião com a presidente da Petrobrás, Graça Foster. Ele também encontrará executivos de empresas do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Biden está em viagem de seis dias por três países da América Latina. Ele esteve na Colômbia - onde reforçou apoio ao processo de paz entre a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo - e em Trinidad e Tobago.
Depois do Rio, Biden irá a Brasília, onde se encontrará com Dilma. O descobrimento das reservas petrolíferas do pré-sal, que poderão suprir parte da demanda americana, e o desejo brasileiro de ter acesso à tecnologia dos EUA para explorar o gás de xisto são dois dos assuntos em pauta. / COM EFE

Moradores de rua impedem manifestação contra Haddad 30/05/2013

Do Portal Vermelho


Moradores de rua que participavam da cerimônia de assinatura da adesão de São Paulo à Política Nacional para a População em Situação de Rua, detiveram dez pessoas que tentaram protestar contra o aumento da passagem de ônibus na cidade. Os moradores de rua expulsaram os manifestantes do auditório do Senai, onde ocorreu a cerimônia, com aplausos ao prefeito Fernando Haddad e gritos de "fora" para os manifestantes.

Anderson Lopes Miranda, uma das lideranças do movimento de moradores de pessoas em situação de rua, ressaltou que, pela primeira vez em oito anos, eles estão sendo atendidos pela prefeitura. Ele convidou os manifestantes a protestarem em atos do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), antecessor de Haddad.

Sem reajuste desde janeiro de 2011, a tarifa de ônibus vai subir 6,7% a partir de junho. O aumento é bem abaixo da inflação do período, que gira em torno de 15%, e para manter o bilhete nesse patamar a prefeitura pagará R$ 1,2 bilhão de subsídio às empresas de transporte, para custear o déficit do sistema. O reajuste menor foi feito a pedido da presidenta Dilma Rousseff para segurar a inflação. O aumento da tarifa de ônibus será de R$ 3 para R$ 3,20 a partir de 2 de junho.

Os manifestantes, que se identificaram apenas sendo anarquistas, estavam na plateia vestidos de preto e com correntes.

com Valor Econômico

Rússia garante defesa aérea de última geração à Síria e amplia poder de fogo de Al-Assad 30/05/2013

Do Correio do Brasil


28/5/2013 11:50
Por Redação, com agências internacionais - de Paris e Damasco
Sergey Ryabkov, em Paris, alertou para a ação irresponsável do Ocidente, de aumentar o poder de fogo dos setores mais sectários da sociedade síria
A Rússia não vai abandonar os planos de entregar um sistema de defesa aérea para a Síria, apesar da oposição ocidental porque ajudaria a dissuadir alguns “exaltados” com a intenção de intervir no conflito de dois anos no país, disse o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, nesta terça-feira. O vice-chanceler também acusou a União Europeia de “jogar lenha na fogueira” ao deixar expirar um embargo de armas à Síria. Israel e França pediram à Rússia que desistisse de enviar sistemas de mísseis S-300 de alta precisão ao governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, que está lutando contra a insurgência apoiada por países árabes e ocidentais. Ao mesmo tempo, os franceses avisaram que não descartam a possibilidade de armar os rebeldes.
Ryabkov sugeriu que os mísseis são úteis para dissuadir intervenções.
– Nós pensamos que esta entrega é um fator de estabilização e que tais medidas em muitas maneiras contêm alguns exaltados de explorar cenários em que este conflito poderia receber um caráter internacional, com a participação de forças externas – disse ele em entrevista coletiva.
As autoridades russas não revelaram se os S-300s já foram realmente enviados à Síria, e Ryabkov não deu detalhes.
– Eu não posso confirmar ou negar se estas entregas aconteceram, eu só posso dizer que não vamos renegá-las – disse Ryabkov. “Vemos que esta questão preocupa muitos nossos parceiros, mas não temos base para rever a nossa posição nesta matéria.”
O ministro da Defesa israelense, Moshe Yaalon, disse nesta terça-feira que os S-300 ainda não tinha deixado a Rússia, parecendo contradizer o chefe da Força Aérea de Israel, que disse na semana passada que os mísseis estavam a caminho da Síria.
Conferência de paz
Moscou considera necessário ampliar a lista de participantes da futura conferência internacional dedicada à situação na Síria. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, fez esta declaração depois do encontro com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, em Paris, na noite passada.
A conferência deverá ser realizada em junho deste ano, em Genebra. Importa chegar a entendimento sobre quem irá representar as partes sírias nas conversações, afirma Lavrov. O chefe do serviço diplomático russo está neste momento em Paris, após uma visita ao Quirguistão. John Kerry chegou procedente da Jordânia. O encontro foi marcado para as 19 horas (horário de Paris), na noite passada. Mas, às sete e pouco, a comitiva do ministro russo ainda estava num engarrafamento de trânsito. O secretário de Estado norte-americano não teve outra saída senão dar um passeio junto da Ópera de Paris.
O sexto encontro dos últimos três meses entre Lavrov e Kerry foi espontâneo. Curioso o fato de, desta vez John Kerry ter alterado as regras do jogo: insistiu em que a discussão fosse feita às portas fechadas. Mas, concluídas as conversações, os representantes dos dois países apresentaram-se em conjunto perante os jornalistas. Lavrov declarou que a Rússia e os EUA esperam que a conferência internacional sobre a Síria seja realizada proximamente:
– A tarefa número um é esclarecer quem é que vai representar as partes sírias. O governo sírio já anunciou a sua intenção de apoiar a conferência de Genebra. Quanto à oposição, o senhor Kerry disse que ela continua a debater o formato da sua delegação. O secretário de Estado dos EUA afirmou que aí será preciso mais algum tempo para compreender a linha e o enfoque da oposição. Espero que este enfoque seja construtivo, pois a nossa opinião comum é que a conferência deve ser convocada sem que sejam impostas quaisquer exigências preliminares.
O encontro inesperado do ministro das Relações Exteriores da Rússia e do secretário de Estado norte-americano parecia combinado. No dia 7 de maio, durante as conversações em Moscou, eles concordaram em realizar a conferência internacional dedicada à Síria. No encontro “Genebra 2” foi decidido que os representantes do governo sírio e da oposição devem, afinal, encontrar-se. A partir de então as palavras “Síria” e “Genebra” soam permanentemente de ambos os lados do oceano Atlântico e no litoral do golfo Pérsico.
Espera-se que a futura conferência surta resultado e que sejam dados, pelo menos, os primeiros passos rumo à cessação do derramamento de sangue na Síria. Depois do encontro em Paris, o secretário de Estado norte-americano pronunciou uma frase que repete letra por letra a posição russa:
– A Rússia e os EUA estão profundamente convencidos da necessidade de cumprir os princípios do comunicado de Genebra, ou de “Genebra 2”. Eles exigem que o poder seja entregue a um governo de transição, o que permitirá ao povo da Síria determinar o futuro do seu país. Nós queremos que a conferência seja realizada.
Lavrov e Kerry reconheceram que a realização da conferência não é uma tarefa simples. Mas, se a Rússia e os EUA se encarregam de resolver o problema, as chances de êxito são maiores do que se possa pensar. Ao mesmo tempo, ambas as partes dispõem de motivos de sobra para não participar da conferência. Já depois da decisão de Lavrov e Kerry sobre a realização do encontro internacional, a Assembleia Geral da ONU aprovou por maioria dos votos uma resolução muito discutível. Este documento responsabiliza o governo sírio por todos os problemas do país. Para além disso, já depois da conclusão do encontro de Paris, se soube que a União Europeia tinha levantado a proibição de fornecimento de armas à oposição síria.
As datas da conferência sobre a Síria não foram agendadas até agora. É possível que Serguei Lavrov e John Kerry consigam encontrar-se mais uma vez antes disso.
Ação conjunta
A Grã-Bretanha, por sua vez, disse nesta terça-feira que não precisa esperar por uma reunião de ministros das Relações Exteriores da União Europeia em 1o de agosto antes de tomar uma decisão sobre armar os rebeldes da Síria, mas ressaltou que ainda não tomou uma decisão.
– Eu tenho que corrigir uma coisa preocupante. Sei que tem havido alguma discussão sobre algum tipo de prazo em agosto. Esse não é o caso – disse o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, à rádio britânica BBC, acrescentando que a Grã-Bretanha “não exclui” armar os rebeldes antes de agosto, e que não agiria sozinha, caso opte por fazê-lo.
A França também disse nesta terça que se reserva ao direito de enviar armas imediatamente para os rebeldes que lutam há mais de dois anos contra o regime do presidente Bashar al-Assad, mas que não tem planos de fazer isso. Em negociações na segunda-feira, os governos da UE não conseguiram superar diferenças sobre a questão e decidiram deixar expirar um embargo ao envio de armas para os rebeldes sírios.

Exército sírio e Hezbollah expulsam rebeldes sírios de aeroporto perto de cidade estratégica 30/05/2013


Presidente libanês chega nesta quarta-feira (29) à cidade de Arsal que fez fronteira com a Síria
Presidente libanês chega à cidade de Arsal que fez fronteira com a Síria

O Exército sírio, apoiado pelo Hezbollah libanês, anunciou a tomada do aeroporto de Dabaa por suas forças, o que permite uma ofensiva por todos os lados contra os rebeldes em Qousseir, no momento em que Washington exigia "a retirada imediata" do Hezbollah da Síria.
Em Istambul, vários diplomatas dos países que apoiam a oposição síria compareceram à reunião da Coalizão Nacional Opositora para tentar de destravar os debates.
Já a Rússia, maior aliada de Damasco, considerou que a retirada do embargo ao fornecimento de armas pela União Europeia impõe "sérios obstáculos" à conferência internacional de paz sobre a Síria batizada "Genebra-2", que ela prepara para junho ao lado dos Estados Unidos.
O regime concordou em participar e a oposição, debilitada por divisões, ainda não chegou a uma decisão, no momento em que a violência registra mais de 94.000 mortos desde março de 2011l, segundo uma ONG, e obrigou mais de cinco milhões de sírios a fugir.
"O Exército sírio controla o aeroporto de Dabaa após uma operação militar de várias horas que começou de manhã", afirmou uma fonte militar à AFP, indicando que "esta operação permitiu liberar o aeroporto e teve a morte de dezenas de homens".
A rede de televisão do Hezbollah, Al-Manar, divulgou imagens de dentro do aeroporto mostrando tanques posicionados próximo aos hangares e soldados atirando para fora.
O Exército controla ainda todos os acessos a Qousseir, cidade estratégica tanto para o regime quanto para os insurgentes, e pode lançar uma ofensiva generalizada contra o último ponto de controle dos insurgentes nesta localidade do centro-oeste da Síria.
"Podemos ainda nos dirigir para o bairro norte de Qousseir", onde os insurgentes estão entrincheirados, declarou um oficial à Al-Manar.
Este avanço ocorre após o envio de reforços do Hezbollah e das forças especiais da Guarda Republicana para a cidade durante a manhã, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
– Guerra religiosa –
O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, considerou que o Hezbollah havia mobilizado de 3.000 a 4.000 combatentes na Síria.
"Exigimos que o Hezbollah retire imediatamente seus combatentes da Síria" declarou Jennifer Psaki, porta-voz do Departamento de Estado, denunciando "uma escalada inaceitável".
Em Genebra, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU condenou a intervenção de "combatentes estrangeiros" ao lado das Forças Armadas sírias em Qousseir e pediu uma investigação da ONU sobre a violência nessa cidade.
Uma resolução nesse sentido, apresentada por Estados Unidos, Catar e Turquia, foi adotada pelo Conselho, por 36 votos a 1 (Venezuela). Oito países se abstiveram.
A alta comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay, considerou que "o número crescente de soldados estrangeiros de ambas as partes que atravessam a fronteira apenas estimula a violência confessional".
De acordo com o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, "combatentes sunitas libaneses" lutam ao lado dos rebeldes, dando ao conflito "uma dimensão cada vez mais confessional".
O regime na Síria é comandado pela comunidade minoritária alauita, um braço do xiismo, enquanto a maior parte da população síria e dos rebeldes é de sunitas.
O controle de Qousseir é essencial para a rebelião porque esta cidade está localizada no principal ponto de passagem de combatentes e armas provenientes e em direção ao Líbano, mas também para o regime porque a cidade está situada na estrada que liga Damasco ao litoral, sua base de retaguarda.
– Terceiro mandato –
Nesta quarta, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid Mouallem, afirmou que Bashar al-Assad se candidatará a um terceiro mandato em 2014 se o povo quiser.
"Se o presidente Assad se candidatará ou não, isso depende das condições em 2014 e da vontade popular", declarou Mouallem durante uma entrevista à rede de televisão árabe Mayadeen, ligada à Síria e ao Irã.
"Os americanos não têm nada a dizer sobre quem vai governar a Síria", acrescentou.
Em Istambul, diplomatas sauditas, catarianos, franceses, turcos e americanos chegaram ao hotel onde a oposição está reunida há uma semana para tentar destravar as longas negociações da Coalizão.
"Se não conseguirmos chegar a um acordo agora, não sei o que acontecerá com a Coalizão", afirmou à AFP um de seus membros.
O Irã, aliado regional da Síria que não foi convidado para a conferência Genebra-2, indicou que deseja uma "solução política" para a Síria, durante uma conferência internacional organizada em Teerã na ausência das partes em conflito.
AFP

Avião não tripulado estadunidense mata seis pessoas no Paquistão 30/05/2013

Avião não tripulado norte-americano mata seis pessoas no Paquistão

Soldados paquistaneses patrulham região tribal em Miranshah, Waziristão Norte, em 10 de maio
Soldados paquistaneses patrulham região tribal em Miranshah, Waziristão Norte, em 10 de maio

O segundo na linha de comando dos talibãs paquistaneses, Wali ur-Rehman, foi morto na quarta-feira no ataque de um avião não tripulado ("drone") americano em uma zona tribal do noroeste do Paquistão, anunciaram autoridades locais.
Wali ur-Rehman, do movimento Tehreek-e-Taliban Pakistan (TPP, Movimento dos Talibãs do Paquistão), morreu no Waziristão do Norte atingido por um míssil disparado por um "drone" americano, disse o governo do Paquistão à AFP.
Mais cedo, fontes paquistanesas haviam informado que Rehman teria sido morto por um "drone", mas que ainda não estavam em condições de confirmar.
O Waziristão do Norte é uma zona tribal paquistanesa próximo da fronteira com o Afeganistão, que serve de abrigo para os insurgentes talibãs, afegãos e paquistaneses e para outros grupos ligados à rede Al-Qaeda. É nessa região que os "drones" americanos têm agido. O TTP, aliado da Al-Qaeda, é o principal grupo armado em guerra aberta contra o poder de Islamabad.
O ataque desta quarta-feira, que tinha Rehman como alvo, foi efetuado em Chashma, perto de Miranshah, principal cidade do Waziristão do Norte, declararam autoridades de várias cidades tribais e fontes de inteligência.
A morte de Rehman, pela qual os Estados Unidos haviam oferecido uma recompensa de 5 milhões de dólares, representa um forte golpe para o TTP, do qual era um influente comandante desde a formação desse grupo armado em 2007.
A principal acusação de Washington contra Rehman era o fato de ter sido um dos atores-chave do ataque contra a base de Chapman, em Khost, no Afeganistão. Sete membros da CIA morreram neste ataque, o pior balanço para os serviços de inteligência americana desde a guerra do Líbano em 1983.
Ao ser procurado pela AFP, o porta-voz do TTP, Ehsanullah Ehsan, declarou que não tinha informações a esse respeito. "Quando tivermos, vamos comunicá-las", disse.
Pelo menos seis pessoas morreram no ataque do "drone", entre eles um assistente de Rehman, disseram à AFP fontes de seguranças e militares paquistanesas.
Segundo o instituto britânico Bureau of Investigative Journalism, os disparos de drones mataram 3.587 pessoas desde 2004 no Paquistão, entre elas mais de 800 civis.
AFP

Vindo do Iraque, um trágico apelo ao processo dos criminosos de guerra 30/05/2013


por John Pilger
Munição com 302 gramas de urânio empobrecido. A poeira do Iraque invade as longas estradas que são os dedos do deserto. Ela entra pelos olhos, nariz e garganta; rodopia em mercados e pátios escolares, contaminando crianças a chutarem uma bola; e transporta, segundo o Dr. Jawad Al-Ali, "as sementes da nossa morte". Um especialista em câncer reputado internacionalmente que trabalha no Sadr Teaching Hospital, em Bassorá, o Dr. Ali disse-me isso em 1999 – e hoje a sua advertência é irrefutável. "Antes da Guerra do Golfo", disse ele, "tínhamos dois ou três pacientes de câncer por mês. Agora temos 30 s 35 a morrerem a cada mês. Nossos estudos indicam que 40 a 49 por cento da população nesta área contrairá câncer: num período de tempo de cinco anos para começar, a seguir pouco mais. Isso é quase a metade da população. A maior parte da minha própria família contraiu e nós não temos historial da doença. Aqui é como em Chernobil; os efeitos genéticos são novos para nós; os cogumelos crescem enormemente; mesmo as uvas no meu jardim sofreram mutações e não podem ser comidas".

Ao longo do corredor, a Dra. Ginan Ghalib Hassen, uma pediatra, mantém uma colecção de fotos das crianças que estava tentar a salvar. Muitas têm neuroplastoma. "Antes da guerra, em dois anos vimos apenas um caso deste tumor inabitual", disse ela. "Agora temos muitos casos, sobretudo sem historial familiar. Estudei o que aconteceu em Hiroshima. O aumento súbito de malformações congénitas é o mesmo".

Entre os médicos que entrevistei havia pouca dúvida de que as munições de urânio empobrecido (depleted uranium, DU) utilizadas pelos americanos e britânicos na Guerra do Golfo fossem a causa. Um médico militar dos EUA designado para limpar o campo de batalha da Guerra do Golfo ao longo da fronteira no Kuwait afirmou: "Cada rajada disparada por um ataque de avião A-10 Warthog transportava mais de 4.500 gramas de urânio sólido. Bem mais de 300 toneladas de DU foram utilizadas. Foi uma forma de guerra nuclear".

Embora a ligação com o câncer seja sempre difícil de provar absolutamente, os médicos iraquianos argumentam que "a epidemia fala por si mesma". O oncologista britânico Karol Sikora, chefe do programa de câncer da Organização Mundial de Saúde (OMS) na década de 1990, escreveu no British Medical Journal: "Equipamentos de radioterapia, drogas de quimioterapia e analgésicos são sistematicamente bloqueados pelos conselheiros dos Estados Unidos e Grã-Bretanha [no Comité de Sanções ao Iraque]". Ele acrescentou: "Disseram-nos especificamente [por parte da OMS] para não falar acerca de todo o assunto do Iraque. A OMS não é uma organização que goste de se envolver em política".

Recentemente, Hans von Sponeck, o antigo assistente do secretário-geral das Nações Unidas e alto responsável humanitário da ONU no Iraque, escreveu-me: "O governo dos EUA procurou impedir a OMS de inspecionar áreas no Sul do Iraque onde foi utilizado urânio empobrecido e provocou graves perigos de saúde e ambientais".

Hoje, relata a OMS, o resultado de um estudo fundamental efectuado em conjunto com o Ministério da Saúde do Iraque foi "adiado". Cobrindo 10.800 famílias, ele contém "evidência incriminatória", diz um responsável do ministério e, segundo um dos seus investigadores, permanece "top secret". O relatório diz que defeitos de nascimento ascenderam até uma "crise" por toda a sociedade iraquiana onde DU e outros metais pesados tóxicos foram utilizados pelos estado-unidenses e britânicos. Catorze anos depois de soar o alarme, o Dr. Jawad Al-Ali relata "fenomenais" casos de câncer múltiplo em famílias inteiras.

O Iraque já não é notícia. Na semana passada, a morte de 57 iraquianos num dia foi um não acontecimento em comparação com o assassínio de um soldados britânico em Londres. Mas as duas atrocidades estão conectadas. O seu emblema pode ser um dispendioso novo filme de "The Great Gatsby", de F. Scott Fitzgerald. Dois dos principais personagens, como escreveu Fitzgerald, "destroem coisas e criatura e retiram-se de volta para o refúgio do seu dinheiro ou para a sua ampla indiferença... e deixam outras pessoas limparem a sujeira".

A "sujeira" deixada por George Bush e Tony Blair no Iraque é uma guerra sectária, as bombas de 7/7 e agora um homem a agitar um sangrento cutelo de carne em Woolwich. Bush retirou-se para a sua "biblioteca e museu presidencial" Mickey Mouse e Tony Blair para as suas viagens de gralha e o seu dinheiro.

A sua "sujeira" é um crime de proporções monstruosas, escreveu Von Sponeck, referindo-se à estimativa do Ministério de Assuntos Sociais iraquiano de 4,5 milhões de crianças que perderam ambos os pais. "Isto significa que uma horrenda proporção de 14,5 por cento da população do Iraque é constituída por órfãos", escreveu. "Estima-se que um milhão da famílias são dirigida por mulheres, a maior parte delas viúva". A violência doméstica e o abuso de crianças são certamente questões urgentes na Grã-Bretanha; no Iraque a catástrofe inflamada ela Grã-Bretanha trouxe violência e abuso a milhões de lares.

No seu livro "Telegramas do lado escuro" ("'Dispatches from the Dark Side"), Gareth Peirce, a grande advogada britânica de direitos humanos, aplica a regra da lei a Blair, ao seu propagandista Alastair Campbel e ao seu gabinete de ministros coniventes. Para Blair, escreveu ela, "seres humanos que se presume possuírem pontos de vista [islâmicos] deviam ser incapacitados por quaisquer meios possíveis e permanentemente... na linguagem de Blair um "vírus" a ser "eliminado" e exigindo "uma miríade de intervenções [sic] profunda nos assuntos de outras nações". O próprio conceito de guerra sofreu mutação para "nossos valores versus os seus". E ainda assim, afirma Peirce, "as séries de emails, comunicados internos do governo, não revelam dissenção".

Para o secretário dos Negócios Estrangeiros Jack Straw, enviar cidadãos britânicos inocentes para Guantanamo era "o melhor meio de cumprir nosso objectivo contra o terrorismo". Estes crimes, sua iniquidade a par com o de Woolwich, aguardam processo. Mas quem os exigirá? No teatro kabuki da política de Westminster, a violência distante dos "nossos valores" não tem interesse. Será que nós os restantes também viraremos as costas?
27/Maio/2013
Ver também:
Association des Victimes civiles et militaires de la guerre du Golfe

O original encontra-se em http://johnpilger.com/articles/from-iraq-a-tragic-reminder


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/